Review: A Cabana

“Mackenzie,

Já faz um tempo. Senti sua falta.
Estarei na cabana no fim de semana que vem, se você quiser me encontrar.

Papai.”

Imagine que, num dia qualquer, você receba um bilhete desses em sua caixa de correio. Imagine também que “a cabana” seja o lugar mais odiável do mundo pra você. E, por fim, imagine a hipótese do bilhete ter sido escrito não por um papai qualquer, mas, de alguma forma, pelo nosso próprio Deus. Parece incrível, não?

Pois é exatamente isso que acontece em A Cabana, escrito pelo canadense William P. Young e distribuído para familiares e amigos no natal de 2005. Sim, você não leu errado. Originalmente o livro não era para ser publicado, mas seu manuscrito em forma de presente teve uma receptividade tão boa – sendo repassado de mãos em mãos para diversas pessoas entusiasmadas com a leitura – que Young resolveu mostrar sua obra a um escritor que conhecia, e, posteriormente, foi indicado a dois produtores de cinema – Wayne Jacobsen e Brad Cummings. Interessados, ambos apoiaram a publicação e ajudaram o autor com revisões no texto. A ironia é que, entre 26 editoras contatadas, nenhuma mostrou interesse na história. “As religiosas acharam o livro herético. Já as seculares achavam que havia muito Jesus.”, disse Young em entrevistas.  Resultado? Jacobsen e Cummings abriram sua própria editora só para promover o lançamento do livro, com o “incrível” orçamento de 300 dólares em divulgação. Hoje, trata-se de um best seller que já vendeu 10 milhões de cópias, alcançando o topo do New York Times e da revista Veja por diversas semanas.

Diante de todo esse contexto, vamos ao enredo intrigante: A Cabana narra um momento amargurado da vida de Mack Allen Phillips, um cinqüentão americano que entrou em depressão após uma tragédia que ele define como “A Grande Tristeza” – a perda de sua filha de 6 anos brutalmente assassinada por um serial killer. Inconformado, Mack acaba se afastando de Deus, até que um belo dia recebe o bilhetinho citado aí pra cima. Na dúvida de ser uma piada de mal gosto ou realmente um recado do além, o personagem decide revisitar a cena do crime, e é lá em que tudo se transforma. Entre visões e conversas com a santíssima trindade – representada por uma negra gordinha e bem humorada (Deus), um judeu que faz piada com o próprio nariz (Jesus) e uma jovem oriental que se move como o vento (Espírito Santo) – Mack acaba redescobrindo a imagem do Criador como algo essencialmente provido de amor, que não isenta os males do Universo, mas que também não nos deixa desamparados. Ele nos ama e sempre nos amará acima de tudo.

Podemos dizer que A Cabana é um romance ficcional com uma essência cristã – porém, não é exatamente um livro religioso como estamos acostumados a ver. Na verdade, o que mais surpreende no livro é a narrativa aberta de Young, que busca mostrar um Deus totalmente acessível e desprendido de qualquer dogma religioso. Diria até que, talvez, seja a metáfora mais bela que já li sobre Deus, com alguns exemplos confusos de início, mas que fazem muito sentido com uma releitura. Se você tem religião, este livro pode ser um ótimo complemento a sua fé ou um enorme balde de água fria, dependendo da maneira que o enxergar. Se não acredita em nada – sobretudo pelo mal que há no mundo – pode te fazer pensar um pouco diferente. Mas, se você acha que Papai se comunica com você de algum jeito em particular, pode ser exatamente a oração que estava lhe faltando.

Título: Cabana, A (The Shack)
Gênero: Romance
Editora: Sextante
Autor: WILLIAM P. YOUNG
ISBN: 9788599296363
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 240
Avaliação:

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Sobre Will Pauley

Will Pauley, 23 anos. É publicitário e pseudo-filósofo nas horas vagas. Tem um chinchila de estimação, uma banda com influências de rock japonês, e uma namorada com cabelos bem branquinhos. Gosta de escrever bastante e por isso criou este pra compartilhar um pouquinho de tudo com todos que o visitam.
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Uma resposta para Review: A Cabana

  1. Mellory disse:

    Esse livro realmente é muito bom! É incrível, muito bem narrado, prende a atenção do leitor (ou pelo menos a minha prendeu, e a de mais de 10 milhões também haha) e narra uma história linda, e que causa dúvidas até hoje em mim. Quem me conhece não sabe dizer se sou religiosa ou não. Eu sou, e bastante, muito, poderia dizer. Mas veja bem, eu não disse nada sobre qual religião sigo – me critico por ser teimosa quanto à esse assunto polêmico, acho que estou começando a não confiar nas outras pessoas. Acredito em Deus e em seus diversos milagres, e estou dizendo isso, e você pode ficar confuso, porque essa história em particular me deixou com um aperto no coração. Não sei se é de minha cabeça ou se eu acredito muito no poder das histórias contadas pelos livros haha, mas o prefácio que Willie (ou supostamente William Young, o autor do livro) escreveu me deixou com um pé atrás – ele quis mesmo dizer que o que ele vai nos contar é real? Ou eu era muito nova quando li esse livro e entendi errado?
    Não acredito, mas também não deixo de acreditar. Toda essa questão de religiosidade é muito abstrato, mas nós sentimos a necessidade de torná-la real, então prefiro guardar essa história, mesmo que com uma eterna dúvida, e um dia descobrir se ela é ou não ficção, como você a descreveu. Por esse e outros motivos é que não me permito dizer que é ficção. Pois, não importa em qual sentido essa palavra seja entendida, eu não quero acreditar que a história não é real. Até porque o prefácio me incomoda até hoje. Você também teve essa impressão ou eu estou ficando louca? o_o
    E decidiu resenhar por aqui também, Will? 😀
    xx

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